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Reportagem: A prática interdisciplinar no tratamento oncológico

Saúde e ensino: A Interdisciplinaridade no tratamento oncológico


A prática interdisciplinar vem se tornando uma proveitosa forma para melhorar o ensino-aprendizagem em diversas áreas do conhecimento. Profissionais que buscam aprimorar cada vez mais suas técnicas tem se utilizado dessa prática pedagógica para ampliar o conhecimento.


Na área da saúde, em especial no tratamento oncológico, a interdisciplinaridade tem ajudado médicos, enfermeiros e toda a equipe envolvida no tratamento a ter uma visão ampla do paciente melhorando assim a qualidade de vida de todo processo de cura do paciente.


Trabalho interdisciplinar é quando se analisa um único caso por diversos ângulos. No tratamento de um paciente por exemplo, a interdisciplinaridade está presente quando o diversas especialidades, estão trabalhando juntas para a melhora do paciente.


Nessa método de ensino cada profissional presente no tratamento contribui com seu campo de atuação. A troca de informações permite aprofundar as compreensões de cada área.


Para falar sobre a prática interdisciplinar na trajetória do tratamento oncológico entrevistamos o Doutor Tomás Ramos Velloso Coelho, formado desde 2010 pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Ele fez sua residência em cirurgia geral (2012 - 2014), também pela UERJ e cirurgia oncológica (2014 - 2017) no Hospital De Câncer de Barretos.Morou dois anos no Mato Grosso do Sul e hoje vive em São Paulo. Decidiu ser cirurgião no 2º ano de faculdade. Durante a residência em Cirurgia Geral conheceu a especialidade de cirurgia oncológica e apaixonou-se. “Escolhi a especialidade pois sempre gostei muito de cirurgia, mas depois que comecei que aprendi que esse é apenas um aspecto da especialidade, e nem de perto é o mais importante.” - Dr. Tomás Coelho.


Dr. Tomás Ramos Velloso Coelho

- Quais são as etapas do tratamento oncológico?

O tratamento oncológico se constitui em três etapas: diagnóstico, tratamento e reabilitação. Dentro de cada uma dessas etapas há a presença de diferentes profissionais de saúde, que vai desde a parte médica (cirurgia, oncologia e radioterapia), fisioterapia, nutrição, enfermagem, terapia ocupacional, psicologia, odontologia.


- Na sua visão quais os benefícios da prática interdisciplinar no tratamento do câncer?

Como dito anteriormente, em cada etapa há diferentes profissionais. O pensamento antigo era que o tratamento era exclusivo do médico. O conceito moderno é que as etapas são intercambiáveis e que os diferentes profissionais de saúde acrescentam muito na ideia de tratamento integral do paciente.


- Sendo cirurgião, o senhor acompanha um dos momentos mais delicados do tratamento do paciente. Qual a maior contribuição do cirurgião no tratamento?

Para muitos casos de câncer, o tratamento cirúrgico é a única opção de tratamento com intenção curativa. Além disso, mesmo nos casos em que não é possível a cura, a cirurgia tem papel no tratamento paliativo, isto é, de aliviar o sofrimento do paciente.


- A prática interdisciplinar tem sido vista com bons olhos pelas equipes de saúde. Quais as competências que os profissionais devem ter ou desenvolver para participar do tratamento de maneira interdisciplinar?

Eu diria que a mais importante é a compaixão! De forma específica, é importante que o profissional de saúde tenha vivência com pacientes oncológicos e que participe de congressos da área e cursos de formação complementar. De forma genérica, é importante se colocar no lugar do paciente e da família, porque a doença é muitas vezes debilitante e desestrutura a base familiar.


- A prática interdisciplinar ajuda na responsabilidade do cuidado com o paciente, dando a ele um atendimento mais completo?

Sim, sem sombra de dúvida. No modelo centrado exclusivamente no médico, muitas vezes questões não relacionadas ao tratamento acabam negligenciadas. No contexto multidisciplinar, a visão integral do paciente, desde a parte física até a parte psicológica, não passa despercebida.


- Já participou de algum processo interdisciplinar? Se sim, como foi? Se não , gostaria de participar?

Sim. Tanto na minha formação no Hospital de Câncer de Barretos quanto no período em que fiquei em Três Lagoas/MS. É fácil notar quando o trabalho multidisciplinar é bem feito porque vemos a satisfação dos pacientes com o atendimento realizado.


- Esse processo é de muito aprendizado e troca, na sua experiência, o que destacaria como maior aprendizado desse trabalho?

O maior aprendizado é saber escutar. O quanto aprendemos com todos os profissionais que nos cercam e o quanto aprendemos ouvindo os nossos pacientes.


- No processo cirúrgico, a presença do profissional de enfermagem tem uma grande relevância. Já passou por alguma situação em que a presença desse profissional foi essencial para o seu trabalho? Se sim, conte como foi.

Sim. Na cirurgia oncológica, em determinadas cirurgias, é necessário a confecção de uma ostomia, que são as populares "bolsinhas". É função do enfermeiro estomaterapeuta, especialista em feridas e ostomias, fazer a demarcação, ou seja, o melhor lugar para colocar a bolsinha, e dar as orientações ao paciente de como fazer a higiene, de como fazer a troca da "bolsinha". É nítido a diferença dos casos operados com esse auxílio da enfermagem daqueles que não tiveram acesso a esse especialista.


- Quais os benefícios que a enfermagem especializada em oncologia trás no tratamento oncológico interdisciplinar?

Na sala de quimioterapia, a identificação rápida e o pronto-atendimento, as intercorrências relacionadas a quimioterapia; na radioterapia, na identificação e no tratamento das lesões decorrentes do efeito da radiação; na cirurgia, no auxílio ao paciente em pós-operatório, na demarcação, nas orientações relacionadas ao cuidado; no primeiro atendimento, realizando a triagem e identificando os casos que necessitam de pronto-atendimento.

No tratamento moderno do câncer, a enfermagem oncológica é essencial e fundamental!


Por Fellipe Oliveira

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